Livro : Mistérios do Cristianismo : A fé e a razão – Judaísmo e Cristianismo

Livro : Mistérios do Cristianismo : A fé e a razão – Judaísmo e Cristianismo / Divulgação

Este livro faz parte de uma pentalogia cuja finalidade é apresentar respostas racionais aos mistérios do cristianismo, da fé e da razão, que continuam intrigando a nossa imaginação. Tais mistérios acham-se envoltos pelas brumas obscuras de uma religiosidade estratificada e imune à lógica. São sinônimos de enigmas que não devem ser desvendados, mas permanecer ignorados. Visando uma compreensão mais abrangente vamos dedicar nossa atenção, embora superficialmente, a outras tradições religiosas. Somente comparações não preconceituosas podem fornecer valiosos subsídios a uma nova ótica universal capaz de visualizar cada uma e o conjunto que formam.

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Evidentemente, as correntes religiosas escravizadas ao dogmatismo teimarão em afirmar que não existem mistérios dignos de qualquer apreciação crítica. Consideram que antigas crenças ou crendices são imutáveis e fornecem explicações perfeitas e convincentes ao seu restrito mundo mental. E aquilo que não entendem faz parte de um conveniente misticismo muito além da compreensão humana. Tentar desvendar os segredos do universo das religiões constitui um tabu de cunho pecaminoso e mesmo herético. A divindade deve permanecer indecifrável, supostamente o único meio capaz de preservar-se a fé daqueles, literalmente, fiéis. Então, vemos a fé sobrepor-se à razão, considerando-a irrelevante em secular desprezo. O fanatismo alimenta-se da ignorância e deseja preservar-se ad perpetum. A história testemunha os enormes crimes perpetrados contra uma multidão de vítimas inocentes por fanáticos religiosos, tudo supostamente em nome de Deus.

A narrativa da saga judaica que originou o cristianismo inicia-se no volume I onde se descreve o delicado equilíbrio político-religioso entre os dominadores romanos e os insubmissos hebreus na época do Nazareno. Prossegue com o trágico julgamento do Messias em Jerusalém, o acontecimento mais notável da civilização ocidental e decerto da humanidade.

O cristianismo surgiu de maneira única e intensamente trágica, mas revelou-se auspicioso ao oferecer graciosa esperança aos sofredores de um mundo mergulhado em cruel barbárie. Aliás, esta penosa fase da história ainda não se encerrou, haja vista os horrores que acontecem na atualidade sem causar maiores espantos. São considerados fenômenos naturais, isto é, inerentes ao estado primário do comportamento humano.

O cristianismo puro, cuja única arma é o amor, tornou-se preponderante entre as principais religiões e permanece de suma importância na atualidade. O seu caráter universal oferece o paradigma por excelência à evolução espiritual e enseja um auspicioso clima de paz a ser concretizado pela humanidade ao longo dos séculos. Para abreviar a vinda de um admirável Mundo Novo basta que os homens compreendam que são, literalmente, irmãos entre si e filhos diletos do mesmo Pai e, portanto, merecedores de fraternal convivência amorosa.

Em que pesem veementes declarações de boas intenções dos vários círculos religiosos, persistem até os dias de hoje desconfortáveis incompreensões mútuas, particularmente entre os seguidores das religiões do Livro – judaísmo, cristianismo e islamismo. Esta aversão antiga originou-se da rejeição pela mãe madrasta de seus dois promissores rebentos, bem haviam nascido. Negou-lhes drasticamente o leite materno, reservado unicamente ao primogênito hebraico que, apesar de tudo, pouco se desenvolveu, e acabou por permanecer longo tempo submisso aos irmãos mais novos como justo castigo dos céus.

Criado um clima de ódios, a radicalização de desavenças por inimigos gratuitos que se julgavam per si donos de Deus deu margem aos milênios de antagonismos com calamitosas proporções e ironicamente redundou em trágicos prejuízos ao povo de Abraão. O impiedoso algoz de outrora veio a tornar-se vítima de seus irmãos em conseqüências trágicas, culminando com o Holocausto judaico perpetrado pelos nazistas. Ainda persiste semelhante clima de ódios incontidos durante o desenrolar da guerra árabe-israelense quando vemos antigos rancores de irmãos inimigos avolumarem-se de forma incontrolável e tão explosiva que é impossível chegar-se a uma bem vinda solução de paz.

No presente volume, vamos tratar inicialmente das diferenças entre judaísmo e cristianismo, expostas com eloquente veemência por Trude Rosmarin, uma proeminente erudita do universo judaico, em seu notável livro “Judaism and Christianity: The diferences”. Esta significativa obra foi lançada no ano de 1943, já em plena Segunda Grande Guerra. A escritora espelha com fidelidade o pensamento milenar do judaísmo transmitido desde o berço por dedicados rabinos aos filhos de Abraão que pautam suas vidas por ensinamentos antigos considerados as palavras literais de Iahveh – o Deus hebraico. No entanto, em justa réplica, iremos demonstrar à luz da razão que o Nazareno não somente é o incontestável Messias judaico, mas igualmente é a Luz Divina para todo Universo.

A sua incomensurável grandeza espiritual coloca-O em sublime posição celestial e acima de qualquer consideração humana. Na verdade, o Filho de Deus dispensa quaisquer testemunhos bíblicos, verdadeiros ou não.
Desde a época de Cristo o mundo evoluiu porque o progresso é a ordem natural das coisas. Felizmente, surgiram facetas esclarecedoras que dão margem a uma visão mais atual e profunda das questões transcendentais. Olhando-se por um prisma de reveladora espiritualidade, constata-se que as diferenças de forma não significam obrigatoriamente conteúdos diferenciados e não devem ensejar desavenças ou contendas. De fato, se retirarmos as irrelevâncias do lastro cultural de cada religião, ficaremos surpresos ao deparar-nos com valiosas essências de igual teor.

Veremos o Deus do Velho Testamento, revelado de modo sui generis às tribos hebraicas, assumir uma renovada fisionomia com o surgimento do tão aguardado Messias. O vingativo Iahveh, sempre sujeito às suas divinas explosões de cólera e tempestivas ações destrutivas contra seus próprios filhos, acaba cedendo vez ao Deus do amor. “Deus é amor”, resume São João o espírito do cristianismo em frase única e caráter definitivo. Não obstante, a discrepância entre ambas as versões, a nova e a velha, é flagrante, um motivo suficiente para os judeus repelirem o seu Messias e agruparem-se de modo ferrenho em torno de Moisés, o velho Patriarca, símbolo da antiga Lei que deve permanecer como aglutinante étnico-cultural da nação judaica. Visando tal desiderato restrito são urdidas graves acusações contra Jesus de Nazaré na falaciosa tentativa de desautorizá-lo como Cristo, o Filho de Deus e Mestre inigualável de um judaísmo universal e na atualidade, melhor diríamos – multiversal.

Sem dúvidas, o Criador revela-se gradativamente aos seus filhos em cada fase da humanidade. Os testemunhos do Velho Testamento são meras metáforas de caráter insipiente para introduzir o homem nos mistérios da divindade. A evolução do pensamento científico dá margem segura à contestação das crenças ou crendices religiosas. Na verdade, estas não passam de fantasias pueris. Entretanto, no confronto entre ciência e religião, ambas devem apresentar uma harmoniosa contribuição positiva, uma vez que representam faces autênticas do mesmo Deus. Todo conhecimento humano resume-se em manifestação natural do Criador através de suas criaturas inteligentes.

Em última instância, o Deus cristão, a versão atualizada de Iahveh, começa a revelar-se em verdadeira grandeza como o Deus Multiversal que contém tudo e todos. Ele é o Criador – Pai e Mãe – dos infinitos seres irmãos que habitam o nosso Universo material, bem como o infindável Multiverso. Estes Universos Paralelos estão revelando-se agora como uma realidade acessível aos avanços da Física de ponta e são confirmados por superior espiritualidade. As descrições de ambas coincidem de modo surpreendente permitindo-se antever o descortino de uma auspiciosa era em que fé e razão andarão fraternamente de mãos dadas. Deus, longe de ser o Enigma Indecifrável, expõe-se graciosamente ao conhecimento paulatino de seus filhos.

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