Livro : Mistérios do Cristianismo : A fé e a razão – O Messias e os Fariseus

Livro : Mistérios do Cristianismo : A fé e a razão - O Messias e os Fariseus / Divulgação

Este livro faz parte de uma série cuja finalidade é apresentar respostas racionais aos mistérios do Cristianismo, da Fé e da Razão que continuam intrigando a nossa imaginação. Tais mistérios acham-se envoltos pelas brumas obscuras de uma religiosidade estratificada e imune à lógica. São sinônimos de enigmas que não devem ser desvendados, mas permanecer ignorados.

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Evidentemente, as correntes religiosas escravizadas ao dogmatismo estéril teimarão em afirmar que não existem mistérios dignos de qualquer apreciação crítica. Consideram que antigas crenças ou crendices são imutáveis e fornecem explicações perfeitas e convincentes ao seu restrito mundo mental. E aquilo que não entendem faz parte de um conveniente misticismo muito além da compreensão humana. Tentar desvendar os segredos do universo das religiões constitui um tabu de cunho pecaminoso e mesmo herético. A divindade deve permanecer indecifrável, supostamente o único meio capaz de se preservar a fé daqueles, literalmente, fiéis. Então, vemos a fé sobrepor-se à razão, considerando-a irrelevante em secular desprezo. O fanatismo alimenta-se da ignorância e deseja preservar-se ad perpetum. A história testemunha os enormes crimes perpetrados contra uma multidão de vítimas inocentes por fanáticos religiosos, tudo supostamente em nome de Deus.

A narrativa da saga judaica que originou o cristianismo inicia-se neste volume onde se descreve o delicado equilíbrio político-religioso entre dominadores romanos e os insubmissos hebreus na época do Nazareno. Prossegue com o trágico julgamento do Messias em Jerusalém, o acontecimento mais notável da civilização ocidental e, decerto, da humanidade.

O cristianismo surgiu de maneira única e intensamente trágica, mas revelou-se auspicioso ao oferecer lenitivo e esperança aos sofredores de um mundo mergulhado em cruel barbárie. Aliás, esta penosa fase da história ainda não se encerrou, haja vistos os horrores de conflitos bélicos intermináveis que acontecem na atualidade sem causar maiores espantos. São considerados acontecimentos naturais, isto é, inerentes à condição humana ainda em deplorável estado de espiritualidade.

O cristianismo puro, cuja única arma é o amor, tornou-se preponderante entre as principais religiões e permanece de suma importância na atualidade. O seu caráter universal oferece o paradigma por excelência à evolução espiritual e enseja um desejável clima de paz a ser concretizado pela humanidade ao longo do tempo. Para abreviar a vinda de um admirável Mundo Novo basta que os homens compreendam que são irmãos entre si e filhos diletos do mesmo Pai, portanto, merecedores de fraternal convivência amorosa.

Em que pesem veementes declarações de boas intenções dos vários círculos religiosos, persistem até os dias de hoje desconfortáveis incompreensões mútuas, particularmente entre os seguidores das religiões do Livro – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Essa aversão antiga originou-se da rejeição pela mãe madrasta de seus dois promissores rebentos, bem haviam nascido. Negou-lhes drasticamente o leite materno, reservado unicamente ao primogênito hebraico que, apesar de tudo, pouco se desenvolveu, ficando fragilizado por longo tempo e em estado de submissão aos irmãos mais novos, talvez como justo castigo dos céus.

Criado um clima de ódios, a radicalização de desavenças por inimigos gratuitos que se julgavam per si donos de Deus deu margem a séculos de antagonismo de calamitosas proporções e, ironicamente, redundou em trágicos prejuízos ao povo de Abraão. O impiedoso algoz de outrora veio a tornar-se vítima de seus irmãos em ocorrências trágicas, culminando com o Holocausto perpetrado pelos nazistas. Ainda persiste um cenário de ódios durante o desenrolar da guerra árabe-israelense quando antigos rancores de irmãos inimigos avolumam-se de modo tão chocante que parece impossível chegar-se a uma bem-vinda solução de paz.

Vemos nas páginas deste livro o Deus Único do Velho Testamento, revelado de modo primário às tribos hebraicas, assumir uma radiante fisionomia com o surgimento do tão aguardado Messias. O vingativo Iahveh, sempre sujeito às suas divinas explosões de cólera e tempestivas ações destrutivas contra seus próprios filhos, acaba cedendo vez ao Deus do amor. Deus é amor – resume São João o espírito do cristianismo em frase única e caráter definitivo.

Uma aparente discrepância entre ambas as versões, a nova e a velha, revelou-se inconciliável à intransigente maioria judaica. Na verdade, o conteúdo precioso de ambas era e é exatamente o mesmo – amar a Deus e ao semelhante. Infelizmente, uma intolerância odienta prevaleceu de modo perverso, motivo suficiente para os sacerdotes do Templo de Jerusalém manifestar terrível sanha assassina contra o seu próprio Messias – a Imagem de Deus – como nos revelou São Paulo. O judaísmo farisaico agrupou-se de modo ferrenho em torno de Moisés, o velho Patriarca, símbolo da antiga Lei que deve permanecer como aglutinante étnico-cultural da nação judaica. Visando tal desiderato restrito foram urdidas graves acusações contra o Nazareno na falaciosa tentativa de desautorizá-lo como Cristo, o Filho de Deus e Mestre divino de um judaísmo universal. Na atualidade, acrescendo-se novas descobertas científicas, melhor diríamos, multiversal.

Sem dúvidas, o Criador revela-se gradativamente aos seus filhos em cada fase da humanidade. Hoje sabemos que diversos testemunhos ou revelações do Velho Testamento são simples metáforas de caráter incipiente para explicar os mistérios da divindade. Felizmente, a evolução do pensamento científico dá margem segura à contestação de crenças ou crendices fantasiosas. Na verdade, não passam de alegorias para explicar a realidade. Entretanto, no confronto entre ciência e religião, ambas devem apresentar uma harmoniosa contribuição positiva, uma vez que representam faces autênticas do mesmo Deus. Todo conhecimento humano resume-se em manifestação natural do Criador através de suas criaturas inteligentes.

Em última instância, o Deus cristão, a versão atualizada de Iahveh, revela-se em verdadeira grandeza como o Deus que contém tudo e todos. Ele é o Criador – Pai e Mãe – dos infinitos seres que habitam não só nosso Universo material, mas também o infindável Multiverso. Estes Universos Paralelos estão revelando-se agora como realidade acessível aos avanços da Física de ponta e são confirmados por superior espiritualidade. As descrições de ambas coincidem de modo surpreendente, permitindo-se antever o descortino de uma auspiciosa era em que fé e razão andarão fraternamente de mãos dadas. Deus, longe de ser um indecifrável Enigma, expõe-se graciosamente ao conhecimento paulatino de seus filhos.

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